Xposure Fotocafe
Friday, December 26, 2003
 



Monday, December 22, 2003
 
O que pode levar uma homem como eu a inserir dois posts no mesmo dia ? A disponibilidade em texto desta excelente crónica retirada da revista Expresso, por Clara Ferreira Alves. Com a minha foto a ilustrar e tudo ( perdoe-me a falta de parágrafos e eventual mau OCR - não tenho aqui o expresso para corrigir ).



PLUMA CAPRICHOSA

Clara Ferreira Alves

o ser português

Há qualquer coisa neste país que me desgosta, qual­quer coisa que me obriga a sair, ir tomar ar, desaparecer para onde não veja televisão portuguesa, não leia jornais portugueses e não ouça falar português. Onde não me che­gue à garganta o gosto amargo de não saber se gosto de nós. E no regresso não me sinto co­mo se regressasse a casa, antes
como se entrasse noutro país. Quer isto dizer que coisas existem e prosperam na condição portuguesa que me causam desgosto, horror, desprezo. E são muitas. A história da pedofi­lia nos Açores, por exemplo, que é uma histó­ria de miséria explorada pelo poder, de misé­ria aceite e consentida pelos miseráveis, uma história que nos dá cabo da cabeça e do cora­ção. Os senhores pegavam nos carros e leva­vam os rapazes para a praia. Os senhores iam para a casa cheia de rapazes e escolhiam os seus. Os senhores pagavam os serviços com pequenas dádivas, grandes para o miserável que as aceitava. Um bilhete de cinema, umas bebidas numa discoteca, um presentinho, uns tostões. A situação era pública, notória e conhecida do «povo da ilha», os senhores esta­vam identificados, os pais e fanúlias dos rapa­zes eram coniventes e silenciosos porque o dinheiro dava jeito e os próprios rapazes cres­ceram dentro da sua miséria física e espiri­tual porque a resignação lhes autorizava al­guns confortos pagos com o corpo. Tantos anos depois da Revolução de Abril, das Auto­nomias, dos Governos Regionais, dos deuses Progresso e Desenvolvimento, da educação universal, gratuita e obrigatória,. da Europa e dos fundos, o meu país ainda é isto, tim lugar usado, estreito e atrasado. O país de Salazar, com as modificações introduzidas pelo espíri­to do tempo e a televisão. E a história dos Açores, todos o sabemos, repete-se na Ma­deira, onde as denúncias ainda não começa­ram a aparecer. O poço do medo foi destapa­
do, o cheiro fétido sente-se. Talvez um dia cheguemos a saber exactamente o que acon­teceu no caso do crime do padre Frederico. Crianças vendendo-se com a cumplicidade das famílias ou do Estado por causa da pobre­za, esta é a verdade. E ponha-se o acento na palavra pobreza. Porque, quando se sai por essa Europa ou esse mundo fora, um mundo tão ocidental como aquele a que somos su­postos pertencer, em nenhum lugar se vê a pobreza que se vê em Portugal. Tanta, tão medonha, tão ostensiva, tão discreta. A po­breza é o reverso da riqueza, e uma e outra têm comportamentos miméticos. Portugal é um país de longas listas de espera para os car­ros de luxo, longas listas de espera para as operações no hospital. É um país de condomí­nios privados e de bairros da lata, cinturas periféricas onde floresce o crime e cresce a perversão social. Lugares comandados pela televisão através do controlo remoto dos tele­jornais. Ah, os nossos telejornais, que gran­diosos planos da nossa miséria moral. Os tele­jornais não são o reino da notícia, da informa­ção e formação da curiosidade intelectual, da inteligência, da sensibilidade. São o reino do tablóide e da estupidez, com o lumpen aos gritos, vociferante, e o povo sofrido expondo as chagas. Como o país não funciona e o Esta­do não é pessoa de bem, as pessoas correm para os telejornais a protestar, a gritar, a pe­dir ajuda, o meu tecto está a cair, a minha reforma não chega para comer, estive cator­ze horas na urgência do hospital e a minha filha ainda não sabe o que tem dizem que é febre, vieram aqui aqueles senhores da políti­ca e não fizeram nada por nós, fomos despedi­das e nem nos pagaram os últimos seis meses, com as chuvas isto fica tudo cheio de água no Inverno, o que é que eu vou fazer da minha vida, agarrem-me senão eu mato-o. Não co­nheço telejornais iguais aos nossos, tão lucra­tivamente rascas e orgulhosos da sua brutali­dade. A notícia não é dada nem tratada, éexplorada, viciada, ultrajada. E comentada tendenciosa ou humoristicamente pelos jor­nalistas que a dão e transmitem, um exercí­cio que ninguém acha errado. Uma palração incessante que se ouve por es­se país de snequesbares e casas de pasto com televisões liga­das o dia todo, para encher o vácuo da nossa alegria. E da nossa miséria, sempre essa mi­séria que se cola à pele como esparadrapo, insistente e úni­ca, de uma tristeza vil e apaga­da. A miséria espiritual do no­vo-rico das revistas cor-de-ro­sa expondo a sua vidinha e a sua colecção de trapos e a miséria dos despro­tegidos que não têm poder, defesa ou voz. A miséria das mulheres pobres que vão a tribu­nal porque abortaram e que abortaram por­que não sabiam, não podiam, não queriam ter mais um filho. A miséria de um país que tem metida na prisão uma mulher acusada do «crime» de ter ajudado estas mulheres e acusa­da do crime de tráfico de estupefacientes por ter tirado do hospital onde trabalhava os anal­gésicos que lhes aliviassem as dores. Um país onde a estatística diz que morreram cinco mulheres por complicações de aborto e que onze mil o praticaram, e as estatísticas men­tem porque não contam toda a verdade, a ver­dade do fundo do poço. Um país onde se dis­cute se o aborto deve ser descriminalizado ou penalizado. Por exemplo, «obrigando as condenadas a trabalho comunitário». Ah, ah, ah! E quem cuida dos outros filhos destas mu­lheres enquanto elas fazem «trabalho comuni­tário»? E quem os sustenta e lhes dá de co­mer? E as mulheres espancadas pelos mari­dos e amantes, as mulheres violadas dentro da sua casa, as mulheres mortas por homens alcoólicos? E para acabar o rol, as mulheres e homens e crianças mortos nas estradas, nú­meros de guerra, a meio do ano mais de mil pessoas sepultadas dentro de um carro. Pior do que a guerra do Iraque. O tempo que per­demos até chegarmos aqui, esta histérica in­competência a que nenhum governo ou con­sulado consegue pôr termo. A estes compor­tamentos de uma gentalha que parece estar sempre à espera de ordens, de intervalos, de parêntesis, de desculpas. Um povo atordoa­do pela farândola da Europa e que ainda não se habituou a deixar de contar com os outros e contar consigo. Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta o que podes fazer pelo teu país.



 


Virei-te as costas e disse-te adeus. Na verdade, e por momentos, a tua conversa fez com que eu não distinguisse quem estava à minha frente. Pelos meus olhos defilaram vários personagens com quem eu em tempos me cruzei. Tirei-te da boca o meio cigarro que era meio meu e tentei fumá-lo como se estivesse inteiro... E depois disseste aquela frase, quase insignificante, quase mortal. Disseste que tanto fazia.

Friday, December 19, 2003
 


retrato de um pintor enquanto vivo. Ladies and Gentlemen, i'm proud to present you... Paulo Bonito.

Thursday, December 18, 2003
 


Vamos lá a ver se a vida é como me disseram.

Wednesday, December 17, 2003
 


fotojournalism sucks ?

Sunday, December 14, 2003
 


neo realismo, neo-niilismo, neo-estupidez. O que quiserem. Mas eu gosto tanto desta foto que tirei hoje... Foi no jantar da minha exposição no Mosteiro de Tibães. Aparece por lá.

 


Hoje sinto-me assim... um lixo. Vazio... com os cabelos ao vento. Será da ressaca ?

( nos blogs tb posso fazer de conta que sou um gajo bués de urbano-depressivo. na verdade hoje até estou bem feliz. )

Saturday, December 13, 2003
 


Conhece este senhor ? Dizem as más linguas que gostava de brincar com explosivos... eu cá não me acredito... é tão simpático.

Thursday, December 11, 2003
 


unhas vermelhas... no piolho, onde a menina não se importou que eu abrisse o reflector, para grande espanto dos presentes.

 
day 0,

Começar de novo. Não foi porque quis. Foi porque me apagaram tudo.


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